Toirão (Mustela Putorius)
Identificação
O toirão (Mustela putorius) é um pequeno carnívoro pertencente à Família dos Mustelídeos. Tem o corpo alongado e cilíndrico e patas relativamente curtas. A cabeça é pequena e achatada e as suas orelhas são pequenas e arredondadas. A característica morfológica que mais facilmente permite a sua identificação é a sua pelagem. O dorso é castanho-escuro, os flancos são claros, o ventre quase negro e a cauda é escura. Possui uma mancha branca à volta da boca e queixo e outra entre os olhos e as orelhas, que têm também a extremidade branca. Para além disto a pelagem é lisa, densa e sedosa, sendo a cauda tufada.
Os machos são bastante maiores que as fêmeas (comprimento do corpo varia entre 30.5 a 46 cm nos machos e entre 29 a 35.5 cm nas fêmeas; a cauda mede em média 14 cm nos primeiros e 12.5 cm nas segundas) e normalmente pesam o dobro destas (machos pesam entre 502 a 1522 g e as fêmeas entre 442 e 800 g).
Distribuição
Ocorre em toda a Europa exceto na Península Balcânica, nas ilhas mediterrânicas, Irlanda e Islândia. Na Escandinávia existe apenas no sul e na Grã-Bretanha ocorre apenas no País de Gales. Em Portugal ocorre em todo o território continental e a sua presença está descrita em praticamente todas as áreas protegidas. Nos Açores e Madeira foi introduzida a sua forma domesticada (furão).
A população existente em Portugal parece ser pouco abundante e a sua tendência populacional é desconhecida.
População
Não se conhece o tamanho populacional desta espécie no território nacional. No entanto, assume-se que integra mais de 10 000 indivíduos maturos por ocupar todo o território nacional, ter um comportamento generalista (Blandford 1987, Lodé 1994) e os machos utilizarem uma área vital que se sobrepõe à das fêmeas e que tem um máximo conhecido de 90 hectares (Nilsson 1978 in Roger et al. 1988).
A tendência da espécie não está documentada mas as evidências (inquéritos e observações oportunistas) apontam para um declínio cuja magnitude todavia se desconhece. Também na Europa vários autores referem o declínio da espécie (revisão feita por Birks & Kitchener 1999).
Estatuto de Conservação
Em Portugal tem o estatuto de insuficientemente conhecida (K), ou seja, há falta de informação sobre a espécie. Pertence ao Anexo III da convenção de Berna (espécie parcialmente protegida, sujeita a regulamentação especial) e à Directiva Aves/Habitats (DL 140/99 de 24 de Abril) (anexo B V).
Habitat
O toirão é considerado generalista em termos de habitat. Ocupa todo o tipo de habitats, incluindo florestas, desde que não muito densas, matos, vegetação ripícola, terrenos agrícolas e alagados e orlas, tirando partido de paisagens em mosaico (Blandford 1987, Roger et al. 1988).
A variedade de habitats ocupados e a diversidade de presas que caracterizam o seu regime alimentar (e.g. Lodé 1994) levam a pressupor uma elevada capacidade de adaptação às condições locais.
Alimentação
É um predador generalista, mas a sua dieta é claramente carnívora, sendo quase insignificante o consumo de vegetais e de frutos. A essência do seu regime alimentar são os roedores e os lagomorfos (lebre e coelho), tendo como presas secundárias pequenas aves, anfíbios e peixes.
Constitui reservas de alimento quando captura mais presas do que aquelas que necessita para consumo imediato.
Reprodução
O cio e o acasalamento verificam-se entre Março e Abril, mas este período pode alterar consoante o clima e a latitude. Os machos são poligâmicos e cobrem todas as fêmeas que os aceitam. Ao contrário de muitos outros mustelídeos, não possui ovo-implantação retardada (ver ficha de texugo). A gestação dura 41 a 42 dias e os partos ocorrem entre Abril e Junho. Podem nascer entre 1 e 12 crias, mas geralmente nascem entre 3 e 7. O desmame verifica-se no final do primeiro mês e tornam-se independentes aos 3 meses.
As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 10 meses e os machos entre os 10 e os 11. Pode viver até aos 14 anos em cativeiro, mas em liberdade não ultrapassa usualmente os 5 anos.
Movimentos
É um animal solitário com comportamento claramente territorial. A sua atividade é principalmente noturna e crepuscular, podendo deslocar-se 7.5 Km por noite. Há, no entanto, muitos registos de toirões ativos durante o dia, especialmente no Outono e Inverno em climas frios. Quando possui uma fonte abundante de alimento pode ficar a descansar por longos períodos na sua toca.
Fatores de Ameaça
O declínio do toirão resulta de uma combinação de fatores entre os quais se destaca a redução da qualidade do habitat, a diminuição das populações de coelho Oryctolagus cuniculus (espécie preferencial a nível local Santos-Reis et al. 2003), a mortalidade por atropelamento e a perseguição direta (revisão feita por Birks & Kitchener 1999). A hibridação com o furão Mustela putorius furo está documentada (Lynch 1995) mas desconhece-se o seu impacto em Portugal.
Medidas de Conservação
Para a conservação da espécie é particularmente importante prosseguir o esforço de atualização do conhecimento sobre a sua distribuição e abundância, com ênfase na detenção de eventuais descontinuidades e fatores de regulação. É ainda urgente regulamentar a detenção do furão e controlar eventuais populações na natureza. A sensibilização ambiental é outra das medidas a ter em conta com vista a alterar a imagem negativa da espécie.
Bibliografia
Websites Consultados
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Toirao-o-parente-selvagem-do-Furao?bl=1
http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/patrinatur/lvv/resource/doc/mam/mus-put
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