Itinerário Romano na Serra da Estrela
“Mons Herminius Itinera”
A designação de mons Herminius (montes Hermínios) aparece em dois textos clássicos, nomeadamente no «De Bello Alexandrino» e na obra do historiador Dion Cássio sobre as campanhas de Júlio César na Lusitânia nos anos 61-60 a.C.
(Dion Cassio, XXXVII, 52-55), tem sido associado à Serra da Estrela ainda que com algumas reservas (Alarcão, 1993); seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que teria certamente que estar apoiada numa intrincada rede viária da qual ainda pouco se conhece.
Para além dos 3 eixos principais que cruzavam a serra, a Via Cabeço do Vouga – Viseu – Mérida, ou seja, Talabriga – Vissaium – Augusta Emerita, cruzando a serra no sentido W-E, a Via Coimbra – Bobadela – Celorico da Beira – Marialva ligando, Aeminium ao Alto Douro, seguindo pelo vale do Mondego na vertente ocidental da serra (a actual «Estrada da Beira») e a via proveniente do rio Douro que passa em Póvoa do Mileu (Guarda) rumo também a Mérida, seguindo pela vertente oriental da serra. Deveriam existir muitos outros itinerários secundários servindo os povoados e explorações mineiras espalhadas pela serra, nomeadamente a partir do seu acesso norte em Celorico da Beira ou pelo acesso sul a partir do Castro de S. Romão em Seia (Alarcão, 1993; Ruivo et alii, 1996;Tente, 2007; Carvalho P., 2009; Marques, 2011).
Via de Fornos de Algodres a Linhares da Beira
Provavelmente caminho romano que iniciava o seu percurso após a travessia do Mondego na Ponte de Juncais, continuando depois por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), atravessa a ribeira de Linhares e sobe pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares da Beira, podendo daqui continuar para sul por Carvalhos Juntos, onde bifurcava no caminho que vai para Folgosinho e no caminho que segue para Videmonte, rumo à travessia do Mondego na Quinta da Taberna.
Via de Celorico a Linhares da Beira
Provável caminho romano, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Quinta do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Quinta do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), Assanhas, continuando até Linhares pelo topónimo Portela.
Via de Celorico a Póvoa do Mileu por Salgueirais e Prados
Derivando da anterior em Salgueirais, esta rumava a leste em direção a Prados (calçada da Quinta dos Amiais; calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), seguindo depois por Vale de Estrada (possível miliário no planalto da Serra da Soida) e descia pela Quinta da Coitada até Mizarela, seguindo depois pela calçada da Mizarela, troço bem preservado que descia à Ponte Medieval da Mizarela, onde atravessava o Mondego, continuando depois em calçada para Pêro Soares, continuando por Chãos e Cubo (calçada em Gulifar), rumo a Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993; Marques, 2011).
Via de Celorico a Póvoa do Mileu por Vale de Azares e Aldeia Nova
Provável via romana passando por dois vici romanos. Atendendo aos vestígios significativos encontrados em Aldeia Nova e em torno de Vale de Azares, como os silhares almofadados da Quinta do Azar (de um templo?) e a inscrição da capela de Nsª dos Azares, embutida na parede direita do coro e dedicada à divindadeAmma Aracelene, sugerindo a existência de um vicus designado por Aracelum; (FE347; Carvalho, 2009); a via partia de Celorico rumo a Aldeia da Serra (?), continuava depois por Grichoso (casal em Quintã), Fonte Arcada (Villa) e Mourilhe, lugares que formam a freguesia de Vale de Azares, ia atravessar a ribeira da Cabeça Alta junto a Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita) e seguia o caminho para Portela, onde começa um troço em calçada que vai até ao vicus de Aldeia Nova, em Aldeia Viçosa; daqui descia à travessia do Mondego na Quinta da Ponte e continuava por Ramalhosa, onde começa a Calçada de Tintinolho que segue depois por Cruz de Faia até Póvoa do Mileu.
Eventual ligação Vale de Azares – Açores, seguindo por Lajeosa do Mondego e indo atravessar o Mondego nas proximidades da Ponte do Ladrão.
Via de Seia a Alvoco da Serra
Hipotética via que desviando em Seia da Via Marialva-Bobadela servia os vici da vertente sul da Serra da Estrela, podendo rumar à Covilhã por Unhais de encontro à Via Braga-Mérida (?).
Seia (Sena?) (segue talvez pela EN339 até à ribeira de Valverde que atravessa para a Quinta da Valverde), S. Romão (continua por estradão em direcção ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando na Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante originário de Caesar Augusta
Sendo a actual aldeia de Valhelhas importante zona de cruzamento de vias não é de estranhar que um eixo secundário partisse daqui, atravessando a ponte supostamente romana, e seguisse o percurso do vale do Zêzere para Sul. Esta calçada antiga permitiria, assim, uma mais fácil comunicação com a via que passa por Gouveia (de Famalicão, pela Estrada de Herodes, do actual concelho de Manteigas.
Tendo em conta esta possibilidade, julgamos possível a existência de outros focos de povoamento na área que compreende o actual concelho de Manteigas.
Bibliografia
ALARCÃO, Jorge de (1993) – Arqueologia da Serra da Estrela, Manteigas
BAPTISTA, José David Lucas (1980) – Notas sobre a origem de Manteigas, Manteigas
Website consultado
viasromanas.planetaclix.pt/#serradaestrela
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