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Garça Real (Ardea cinérea)
Classe: Aves Família: Ardeidae
Ordem: Ciconiiformes Género: Ardea
| Identificação | A Garça-real (Ardea cinerea) é a maior das garças da Europa, com 90 cm de comprimento, entre 175 e 195 cm de envergadura e cerca de 2 kg de peso. É uma espécie conspícua, facilmente observável e reconhecível no campo, mesmo pelos observadores menos experientes. As garças apresentam um voo impetuoso, com o pescoço retraído formando um “s” e emitem frequentemente um grasnar rouco característico. A plumagem das aves adultas é idêntica para os dois sexos, dominando os tons de cinzento, preto e branco. A cabeça e pescoço são maioritariamente brancos, com exceção de uma nítida coroa preta prolongada, na plumagem nupcial, por duas ou três penas também negras. O dorso é cinzento, bem como parte das asas em que somente as penas de voo (primárias e secundárias) são pretas. O bico é amarelo e as patas cor de carne. Os juvenis apresentam uma maior uniformidade no cinzento da plumagem. |
| Distribuição | A distribuição mundial da espécie inclui Europa, Ásia e África. A população europeia é abundante e tem uma distribuição muito alargada. Nos Açores a garça-real é observada em várias as ilhas do arquipélago, não sendo conhecida com detalhe a sua distribuição. |
| Habitat | Ocorre principalmente nas latitudes médias até às latitudes limite, onde os Invernos são demasiado rigorosos e o solo fica sob neve ou gelo, sendo menos abundante e mais dispersa nas zonas mediterrânicas, subtropicais e tropicais. Ocupa habitats de baixa altitude, geralmente associados a corpos de água e a zonas florestadas, sendo a garça mais arbórea, com exceção do Goraz (Nycticorax nycticorax). Prefere corpos de água pouco profundos, de água corrente e ricos em alimento e a sua grande capacidade de adaptação permite-lhe habitar estuários, deltas, rios, pauis, lagoas, arrozais, diques, canais, entre outros. |
| Alimentação | A Garça-real alimenta-se, em geral, em águas pouco profundas, não sendo raro, no entanto, observá-la nesta atividade em zonas de terra seca. Alimenta-se maioritariamente durante o dia, de manhã cedo e ao entardecer. Captura principalmente peixe, mas também anfíbios, pequenos mamíferos, insetos e répteis; ocasionalmente consome, ainda, crustáceos, moluscos, aves e matéria vegetal. |
| Reprodução | A Garça-real raramente se reproduz isoladamente, nidificando de um modo geral em colónias, cujo tamanho parece ser proporcional à riqueza das áreas de alimentação num raio aproximado de 25 km. Na Europa, as colónias de maior dimensão estão situadas em áreas costeiras, presumivelmente devido à sua proximidade a extensos pauis, lagoas, estuários e costa litoral, habitats que incluem uma grande variedade de áreas de alimentação. Os ninhos, construídos em árvores altas acima dos 25 metros, mas também em arbustos ou sobre caniços, e mais raramente em edifícios, pontes e no solo, são frequentemente ocupados em anos consecutivos. As posturas, com 3 a 5 ovos, são iniciadas no mês de Março, prolongando-se a incubação por cerca de 25 dias. As crias atingem a idade de emancipação por volta dos 50 dias de idade, mas ao fim de 25 dias são suficientemente crescidos para se defenderem e aventuram-se fora do ninho, subindo pelos ramos que os suportam. |
| Atividade | Na Europa, as populações do Norte são migradoras, enquanto que as do Centro e do Mediterrâneo são residentes ou migradoras parciais, podendo deslocar-se para Sul, para África, em Invernos mais rigorosos. Antes da verdadeira migração, nos meses de Verão, as Garças-reais, especialmente os juvenis, dispersam em todas as direções. A migração de Outono inicia-se em Setembro e prolonga-se até final de Outubro. Em Fevereiro tem lugar a migração nupcial, sendo as colónias geralmente reocupadas em Março. |
| Estatuto de Conservação | Portugal: LC (Pouco Preocupante).
Global (IUCN): LC (Pouco Preocupante). |
| Fatores de Ameaça | A destruição de zonas húmidas e a ocupação humana da zona costeira constituem as principais ameaças para esta população. |
| Medidas de Conservação | A espécie encontra-se protegida por legislação nacional e internacional no âmbito das normas gerais de proteção das aves e dos seus habitats, não tendo sido alvo de ações específicas de conservação.
As prioridades de conservação incluem a clarificação do estatuto fenológico da população de garça-real que ocorre nos Açores, assim como a obtenção de dados sobre a sua distribuição e abundância a nível regional. |
Bibliografia
Websites Consultados
http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/patrinatur/lvv/resource/doc/aves/ard-cin
http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html
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